É uma das últimas fronteiras da Cardiologia de Intervenção: o tratamento da doença coronária severa vai estar em foco no Centro Hospitalar de Coimbra. O especialista espanhol José Rumoroso é o convidado de um workshop promovido por aquele que é já um dos centros de maior actividade em Portugal na área - a Unidade de Cardiologia de Intervenção do CHC, EPE.
A iniciativa terá lugar no dia 26 de Fevereiro e integra um ciclo de reuniões que, ao longo do ano, levará ao Centro Hospitalar de Coimbra alguns dos mais importantes especialistas nacionais e estrangeiros no tratamento de casos clínicos de doença coronária severa.
A doença coronária é uma das mais importantes causas de morte nos países ocidentais e apresenta prevalência crescente em Portugal.
No workshop promovido pela unidade do Serviço de Cardiologia do CHC, EPE, estará em foco o tratamento de coronárias em que a circulação se encontra totalmente obstruída (oclusões totais crónicas).
"Artérias coronárias com lesões intensamente calcificadas e cronicamente ocluídas têm taxas de sucesso mais baixas quando submetidas a tratamento por angioplastia. Nos últimos anos, tem-se alcançado notável progresso no tratamento destas lesões, principalmente pelos avanços das técnicas e do desenvolvimento de material próprio para este tipo de problemas", explica o director do Serviço de Cardiologia do CHC, EPE, António Leitão Marques.
"No caso particular das oclusões totais crónicas uma das dificuldades prende-se com o facto de não se visualizar directamente o trajecto da artéria coronária. Para isso, recorre-se hoje em dia, frequentemente a AngioTAC coronária para melhor caracterizar a lesão em causa. Estes avanços são importantes para permitir o tratamento de um maior número de doentes, que doutra forma só podiam ser revascularizados cirurgicamente por by-pass", explica o especialista.
Mesmo no tratamento de lesões complexas, como são os casos em que a circulação está totalmente ocluída, os procedimentos são feitos com anestesia local, com o doente consciente e colaborante, através da introdução de cateteres (com diâmetros com cerca de 2mm) por acesso femural ou radial e que permitem depois a dilatação com balão e a desobstrução da circulação coronária. A intervenção termina normalmente com a colocação de uma prótese endovascular cilíndrica (stent), que assegura um melhor resultado a longo prazo.
Liderada por António Leitão Marques, a Unidade de Cardiologia de Intervenção do CHC, EPE, conta com uma equipa de três cardiologistas de intervenção. No Centro Hospitalar de Coimbra, foram efectuados, ao longo do último ano, mais de um milhar de procedimentos de intervenção, incluindo, para além da angioplastia coronária, intervenção carotídea, correcção de cardiopatias congénitas e angioplastias periféricas, destacando-se no plano nacional, como um dos centros de maior actividade.




