De 5 a 13 de Fevereiro no Mosteiro de São Bento da Vitória

É, nas palavras do encenador Fernando Mora Ramos, um espectáculo sobre o "desejo de eternidade que persegue o Homem desde os primórdios da razão". Com dispositivo cénico do pintor João Vieira e texto de Johannes von Saaz, a mais recente co-produção do Teatro da Rainha e do Teatro Nacional São João estreia-se no Porto, de 5 a 13 de Fevereiro, no Mosteiro de São Bento da Vitória.
"Letra M fala da vida, da criatura humana, porque fala da inevitabilidade do fim da vida, de como é irremediável a morte", avança Fernando Mora Ramos. "O espectáculo debruça-se sobre um desejo de eternidade utópico que persegue o homem desde os primórdios da razão. Mas não o faz no plano de uma ambição de rivalizar com os deuses ou com Deus. Fá-lo no plano do amor, de um desejo de viver o amor como um absoluto", revela.
O espectáculo reiventa o universo quatrocentista de "O Lavrador da Boémia", de Saaz. "Letra M pretende fazer o que o texto que dá lugar à representação propõe: um debate de argumentos, uma luta de ideias, um combate por perspectivas válidas fundado nas possibilidades perscrutadas e válidas do humano, da humanidade livre potencial".
Uma liberdade que se lê, de resto, na feitura do espectáculo, a última criação cenográfica de um dos nomes incontornáveis das artes plásticas em Portugal: João Vieira. "Eu e o João Vieira fizemos o que quisemos: um espaço que fundisse uma "impossibilidade", circo romano e parlamento, arena e tribunal democrático, "espectáculo" da precariedade humana e lei da vida num confronto desigual, mas sempre tentativa de equilibrar os enfrentares por vir, de os deixar abertos ao entendimento das motivações e causas", conta Fernando Mora Ramos.
É ali, perante o "palácio fabril da morte" criado por João Vieira, que o espectador testemunha o confronto entre o Lavrador (Paulo Calatré), saudoso da amada prematuramente desaparecida, e a Morte (António Durães). "Um magnífico cenário, a meu ver. Feito com muito pouco e feito também por um grande construtor, um príncipe do palco", diz Fernando Mora Ramos ainda sobre João Vieira.
"Letra M" sobe ao palco do Claustro Nobre do Mosteiro de São Bento da Vitória nos dias 5, 6, 9, 10, 11, 12 e 13 de Fevereiro às 21h30, e no dia 7 de Fevereiro (domingo) às 16 horas. O espectáculo é vocacionado para maiores de 16 anos.
Ficha artística
"Letra M" de Johannes von Saaz (O Lavrador da Boémia) / João Vieira
Tradução: Isabel Lopes
Encenação: Fernando Mora Ramos
Dispositivo cénico, pinturas e figurinos: João Vieira
Desenho de som e música: Carlos Alberto Augusto
Canção ("Rap da Humanidade Abjecta"): António Durães
Vídeo: João Pinto
Desenho de luz: José Miguel Lontro
Assistência de encenação Octávio Teixeira
Interpretação António Durães, Paulo Calatré (com Isabel Lopes e Cristina do Aido)
Co-produção: Teatro da Rainha, TNSJ
Classificação etária: Para Maiores de 16 anos
Bilhetes
Plateia
€ 15,00
Balcão
€ 10,00




